segunda-feira, 1 de outubro de 2007

DESAMOR

Relendo meus alfarrábios poéticos, encontrei por várias vezes a palavra amor. Então tentei lembrar-me do amor e por infelicidade descobri que amor mesmo, desses poéticos que disparam corações, só o senti pela última vez escrito, lido e rimado justamente naqueles livros já gastos pelo tempo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

ANONIMAMENTE CONHECIDO

Admito a hipótese de receber recados anônimos como bem vindos, já que impessoais e desconhecidos, o que me alivia da dor e do prazer da crítica. Anônimo sou eu que mesmo com nome e endereço, escrevo nas binárias virtuais despreocupado em ser bem lido ou não, trago comigo a vaidade as avessas, ser lido por mim mesmo, escondido na madrugada, e no dia seguinte pensar no que li e me pegar sem saber aonde estava escrito.

REGRADO A PÓ

Por tanto tempo esqueci-me de como é a chuva; céu claro, lua alta, um cheiro de terra seca, gado magro, e ainda assim as flores teimam em colorir o marrom deschuvoso das paragens do cerrado.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

TEMPUS FUGIT II

Em eras pretéritas, um olhar de uma tia-bisavó cujo nome perdeu-se submerso no tempo...às vezes me intrigo em saber o que pensava ela diante da câmera em 1955...

TEMPUS FUGIT

Outro dia visitei a pequena Passa Tempo. Cidadezinha tipicamente mineira, com praças, coreto, povo acolhedor e receptivo. Andando por lá em suas ruazinhas estreitas e calçadas estive a pensar, lá o tempo, que aqui tanto nos aflige, parece ser mais lento, e por ser assim, tive o insight de que o nome daquela cidade seria ao certo seu avesso, já que por lá esse tempo não passa, interessante seria pois, mudarem seu nome para Pára Tempo.

sábado, 18 de agosto de 2007

SÉTIMA

Sexta, fim da semana, cerveja gelada, conversa fiada, noite clara, madrugada encantada. E no sábado alguém que me salve desse corpo que já nao aguenta mais os anseios de minh'alma.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

AINDA INVERNAIS

Durante os ventosos dias de agosto, os ipês se precipitam anunciando a primavera, e os sóis, vermelhos e quentes, nas tardes perdidas se põem, e claros e ainda frios, entre as montanhas se expõem.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

ISTURDIA

Quando percebi já se iam mais de quarenta dias sem insculpir meus devaneios nessas binárias virtuais. Nestes tempos a lua encheu, esvasiou e encheu de novo; choveu, ventou, ensolarou no cerrado; o povo sorriu e chorou num ufanismo esportivo que desconfio; chorou mais ainda pela dor deixada por uma ave metálica que preferi nem saber; as festas juninas e julinas acabaram, a canjica esfriou e pipoca dormida não dá pra comer. Pois que retorno com luas, chuvas, ventos, sóis, sorrisos e lágrimas e espero sem pipocas frias...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

SEXTA-FEIRA-17:30 H

Sexta-feira de inverno seco no cerrado mineiro, o sol foi mais cedo deixando o rubro-crepúscular, um tanto poético, outro tanto melancólico, e eu, poético e melancólico procuro na agenda o telefone esquecido de alguem que ainda não sei quem...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

PAIXÕES JUVENIS

Na saída da aula, aos tropeços, Joãozinho corre para entregar a sua amada-pretendida Clarice, duas flores roubadas com todo o amor. Ela, com seu desdém aburguesado, olha para traz e vê o pobre apaioxando apressado com as rosas nas mãos, e com uma frieza comovente entra no carro do pai sem esperar seu admirador assumido, que de longe olha triste e desiludido sua amada partir sem um aceno. E as flores, essas já mortas, numa triste metáfora desse amor, começam a murchar entre os dedos do desamado, que euforicamente se lembrou que também ama Camem e Amélia, e que amanhã, sem falta, roubará mais quatro flores para entregar às suas duas outras paixões.

terça-feira, 26 de junho de 2007

URGÊNCIA DOS DIAS...

Saí cedo, cheguei tarde, quase nem vi o sol, sei que o céu estava azul e a lua brilhava, e na minha sacada um pássaro anônimo pousou para avisar-me de não esquecer de amanhã sair tarde, chegar cedo e é claro rever o sol e a lua....

sexta-feira, 22 de junho de 2007

OUTRA VIDA...

Estive a pensar, dia desses vendo tudo, compro em escamas e viro peixe lá na serra da Canastra, para aprender a nadar sem me preocupar em afogar ou em contas a pagar...

quinta-feira, 21 de junho de 2007

INVERNAIS II

Eta vidinha sem sentido às vezes, corações apaixonados-desapaixonados, amores efêmeros e no sábado frio, a frieza do dvd, rodando um filme que fala justamente de paixões e efemeridades com legendas desconexas convidativas ao sono e ao sonho. Tentativa vã de achar em campos oníricos as paixões perdidas no tempo.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

TRISTE FIM...

Hoje pela manhã, às margens do Rio Itapecerica, presenciei um pato, sim, um pato, desses selvagens, coitado, urbanizado pelo esgoto da cidade, num único e patético gesto, fisgar e engolir sem cerimônias um desavisado peixe, que apenas se debateu num último gesto de coragem antes de desaparecer garganta abaixo. O pior da história, e o que me comoveu, foi crer que aquele corpo escamoso do peixe, bem como sua aquosa vida eram os únicos que ele tinha.

terça-feira, 19 de junho de 2007

INVERNAIS

Nessas manhãs de inverno, nas paragens do centro oeste, um friozinho preguiçoso teima em convencer a sonhar mais um tempo, e lá nos céus, nao se vê uma única nuvem, aliás nao se vê quase nada, somente um azul que de tanto azul, faz o sol brilhar de cegar os incautos e esquentar o ócio...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

TAMANDUÁ DANDO BANDEIRA


Eu, perdido, ou achado, nos caminhos da Canastra, vi querendo ver, o imponente rei daquelas paragens, foi então que roubei-lhe uma imagem!!

OS CINCO SENTIDOS

Dia desses li um poeta português, David Mourão Ferreira, e numa busca virtual, encontrei num blog, certamente de uma mulher portuguesa, mas anônimo, um de seus poemas e uma conclusão que achei genial, veja você:
«Nós temos cinco sentidos: são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?»
(David Mourão-Ferreira)

'Quaus são os pares?- Qual é o sentido que é só metade?
Pensei e pensei.E conclui:par audição / visãopar gosto / olfacto
E sobra-me o tacto. será esse o sentido sem par? Pode ser se considerarmos que só nos sentimos completos quando encontramos a pele da pessoa amada, que também andava sem par.Será isso?'

O CARTEIRO

Há dez anos espero o carteiro me trazer uma carta. Dessas missivas com nome, remetente e destinatário, ou anônimas, mas desde que sejam cartas, e nada. Depois disso descobri que os carteiros de hoje em dia só me trazem contas a pagar, com nomes, números, remetentes, só que sinto que o destinatário é mais meu bolso do que eu mesmo...Então comecei a receber e-mails, mas neles não vêm selos, nem dobras, só as notícias de outras bandas, e o melhor, sem contas...

DOIS MUNDOS

'Mundo real, mundo virtual, já nem sei mais qual é qual'