Sexta-feira de inverno seco no cerrado mineiro, o sol foi mais cedo deixando o rubro-crepúscular, um tanto poético, outro tanto melancólico, e eu, poético e melancólico procuro na agenda o telefone esquecido de alguem que ainda não sei quem...
sexta-feira, 29 de junho de 2007
quinta-feira, 28 de junho de 2007
PAIXÕES JUVENIS
Na saída da aula, aos tropeços, Joãozinho corre para entregar a sua amada-pretendida Clarice, duas flores roubadas com todo o amor. Ela, com seu desdém aburguesado, olha para traz e vê o pobre apaioxando apressado com as rosas nas mãos, e com uma frieza comovente entra no carro do pai sem esperar seu admirador assumido, que de longe olha triste e desiludido sua amada partir sem um aceno. E as flores, essas já mortas, numa triste metáfora desse amor, começam a murchar entre os dedos do desamado, que euforicamente se lembrou que também ama Camem e Amélia, e que amanhã, sem falta, roubará mais quatro flores para entregar às suas duas outras paixões.
terça-feira, 26 de junho de 2007
URGÊNCIA DOS DIAS...
Saí cedo, cheguei tarde, quase nem vi o sol, sei que o céu estava azul e a lua brilhava, e na minha sacada um pássaro anônimo pousou para avisar-me de não esquecer de amanhã sair tarde, chegar cedo e é claro rever o sol e a lua....
sexta-feira, 22 de junho de 2007
OUTRA VIDA...
Estive a pensar, dia desses vendo tudo, compro em escamas e viro peixe lá na serra da Canastra, para aprender a nadar sem me preocupar em afogar ou em contas a pagar...
quinta-feira, 21 de junho de 2007
INVERNAIS II
Eta vidinha sem sentido às vezes, corações apaixonados-desapaixonados, amores efêmeros e no sábado frio, a frieza do dvd, rodando um filme que fala justamente de paixões e efemeridades com legendas desconexas convidativas ao sono e ao sonho. Tentativa vã de achar em campos oníricos as paixões perdidas no tempo.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
TRISTE FIM...
Hoje pela manhã, às margens do Rio Itapecerica, presenciei um pato, sim, um pato, desses selvagens, coitado, urbanizado pelo esgoto da cidade, num único e patético gesto, fisgar e engolir sem cerimônias um desavisado peixe, que apenas se debateu num último gesto de coragem antes de desaparecer garganta abaixo. O pior da história, e o que me comoveu, foi crer que aquele corpo escamoso do peixe, bem como sua aquosa vida eram os únicos que ele tinha.
terça-feira, 19 de junho de 2007
INVERNAIS
Nessas manhãs de inverno, nas paragens do centro oeste, um friozinho preguiçoso teima em convencer a sonhar mais um tempo, e lá nos céus, nao se vê uma única nuvem, aliás nao se vê quase nada, somente um azul que de tanto azul, faz o sol brilhar de cegar os incautos e esquentar o ócio...
segunda-feira, 18 de junho de 2007
TAMANDUÁ DANDO BANDEIRA
OS CINCO SENTIDOS
Dia desses li um poeta português, David Mourão Ferreira, e numa busca virtual, encontrei num blog, certamente de uma mulher portuguesa, mas anônimo, um de seus poemas e uma conclusão que achei genial, veja você:
«Nós temos cinco sentidos: são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?»
(David Mourão-Ferreira)
- Como quereis o equilíbrio?»
(David Mourão-Ferreira)
'Quaus são os pares?- Qual é o sentido que é só metade?
Pensei e pensei.E conclui:par audição / visãopar gosto / olfacto
E sobra-me o tacto. será esse o sentido sem par? Pode ser se considerarmos que só nos sentimos completos quando encontramos a pele da pessoa amada, que também andava sem par.Será isso?'
O CARTEIRO
Há dez anos espero o carteiro me trazer uma carta. Dessas missivas com nome, remetente e destinatário, ou anônimas, mas desde que sejam cartas, e nada. Depois disso descobri que os carteiros de hoje em dia só me trazem contas a pagar, com nomes, números, remetentes, só que sinto que o destinatário é mais meu bolso do que eu mesmo...Então comecei a receber e-mails, mas neles não vêm selos, nem dobras, só as notícias de outras bandas, e o melhor, sem contas...
Assinar:
Postagens (Atom)
