Na saída da aula, aos tropeços, Joãozinho corre para entregar a sua amada-pretendida Clarice, duas flores roubadas com todo o amor. Ela, com seu desdém aburguesado, olha para traz e vê o pobre apaioxando apressado com as rosas nas mãos, e com uma frieza comovente entra no carro do pai sem esperar seu admirador assumido, que de longe olha triste e desiludido sua amada partir sem um aceno. E as flores, essas já mortas, numa triste metáfora desse amor, começam a murchar entre os dedos do desamado, que euforicamente se lembrou que também ama Camem e Amélia, e que amanhã, sem falta, roubará mais quatro flores para entregar às suas duas outras paixões.
Um comentário:
vamos nós nesse momento
proceder um julgamento
da narrada solução
encontrada por joão
...
em que por fim lhe restam nas mãos
flor sem dono e solidão
busca em si mesmo outras flores orquídeas
não menos plantadas em seu coração
e eis que encontra, não outras mulheres
mas a si mesmo, e à disposição
um si que viaja através do que veja
e se sente inteiro ao que sinta paixão
pois que é o amor senão o espelho
desse esporte enfim aprendido
de escolher entre os vários espelhos
o que forneça o mais belo narciso?
Postar um comentário